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Convidados
15 de agosto de 2015

Realização de família e amor

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Hoje, dia da gestante, nossa entrevistada completa, exatamente, seis meses de gravidez
Denise e Vagner
Denise Mesquita e Vagner Nascimento

Oito anos atrás, Denise Mesquita trabalhava em uma empresa de telecomunicações. Como voluntária, decidiu atuar junto aos projetos sociais e às ações de acessibilidade da companhia. Foi assim que ela conheceu Vagner Nascimento, seu marido. “Casamos há sete anos e, ainda hoje, costumamos brincar que foram os eventos da empresa que nos uniram”, diz.

Por conta de uma toxoplasmose congênita, Denise sofreu lesões nos olhos e, por isso, tem baixa visão. Vagner, na juventude, ficou paraplégico. Ou seja, podemos dizer que, não fossem as respectivas deficiências visual e física, talvez eles sequer tivessem se conhecido.

Formada em marketing, Denise tem 37 anos e atua como analista de crédito corporativo em uma grande instituição financeira. Vagner, aos 43, é analista financeiro em uma entidade sem fins lucrativos que estimula o empreendedorismo em micro e pequenas empresas.

Hoje, no dia da gestante, Denise completa exatos seis meses de gravidez. E, enquanto espera por Ana Luiza, a primeira filha do casal, aproveitamos para entrevistá-la. Confira!

Vagner e DeniseNathalia – Seja bem-vinda ao Caminho Acessível! Denise, para você, que tem mobilidade, como é estar casada com um cadeirante?
Denise – Bem, na verdade, eu também tenho algumas dificuldades de mobilidade por conta da baixa visão. Mas, claro, em um grau bem menor. Brincamos que Vagner se tornou os meus olhos e eu virei as pernas dele (risos).

Nathalia – A casa de vocês é bastante adaptada?
Denise – Na verdade, não. O que temos é uma casa térrea, com portas de tamanho padrão. Uma vantagem que pode ser vista como acessibilidade é tamanho dos ambientes. Ou seja, temos espaços grandes e isso facilita bastante o trânsito de Vagner com a cadeira pela casa toda.

Nathalia – Você acha que há algum tipo de adaptação que possa “atrapalhar” pessoas não-cadeirantes?
Denise – Não. Algumas pessoas acham que itens de acessibilidade e segurança enfeiam os ambientes, estragam a arquitetura etc. Para mim, as rampas, por exemplo, são “facilitadores de passagem”, pois atendem a todos, incluindo cadeirantes, gestantes, carrinhos de bebê e idosos. Aliás, penso que não deveriam considerar a acessibilidade somente como uma forma. A maioria das pessoas poderia entender melhor do que se trata, talvez, se todos adotassem o termo que mencionei: facilitadores de passagem.

Nathalia – Quem de vocês mais sonhava em ampliar a família?
Denise – A princípio, fui eu. Após tanto conversarmos sobre o assunto, Vagner foi se contagiando e se rendendo ao sonho de termos uma família mais completa.

Nathalia – Para quando está prevista a chegada de Ana Luiza?
Denise – A previsão é que ela venha entre o fim de novembro e o começo de dezembro.

Nathalia – Desde quando vocês tentavam ter um bebê?
Denise – Há uns cinco anos, mais ou menos.

Nathalia – Soube que você fez inseminação artificial. Você pode nos contar um pouco sobre como foi esse processo?
Denise – É um processo chatinho e, por conta do principal “complicador”, o custo, tivemos de adiar um pouco a realização de nosso sonho. O tratamento envolve muitas expectativas, muitas idas e vindas à clínica, muitos exames e o principal: bons profissionais!

Nathalia – Você tem alguma dica para as mães que estão tentando engravidar dessa forma?
Denise – A maior dica é para acreditar e ter fé. Mas, sempre, com a cabeça no lugar! Os medicamentos mexem muito com a mente e com o corpo da mulher. Por isso, também acho importante ter acompanhamento profissional multidisciplinar, incluindo terapeutas e psiquiatra, pois tudo abala muito o nosso emocional. Não há nada de complicado nisso, é apenas mais uma ajuda e, para mim, é algo como um pré-requisito que ajuda a iniciar e a continuar o tratamento. Além disso, é importantíssimo se informar bastante e procurar bons profissionais. Mesmo porque, infelizmente, há muitas clinicas que só querem iludir os casais e, como engravidar é uma questão de sonho e realização, fica muito complicado lidar com toda essa emoção.

Nathalia – Em algum momento, a sua deficiência ou a do seu marido fez vocês repensarem sobre a tentativa de se tornarem pais?
Denise – Como meu marido se tornou cadeirante na juventude, estava conformado e tinha até descartado a possibilidade de ser pai. Mas a medicina, que hoje que é essencial para muitos cadeirantes realizarem o sonho de serem pais, está aí para ajudar. Aliás, é importante esclarecer que, aqui, estamos falando de homens. Pois, em grande parte dos casos que envolvem mulheres, a lesão medular não chega a interferir no sistema reprodutor.

Vagner e Denise à espera de Ana Luiza
Vagner, Denise e Ana Luiza

Nathalia – O que você gostaria de dizer a outras mulheres que sonham em ser mães?
Denise – Essa é a grande questão que faz toda a diferença: é preciso sonhar em ser MÃE; não em ter um filho. Uma gravidez não é fácil, mexe muito com a gente e com nosso corpo. Mas, quando você realiza um sonho, tudo se torna mais leve. Assim, é possível curtir cada mudança, cada semana, cada mês e, de preferência, sem neuras e também sem muita “papagaiada”. Mesmo porque a gravidez é um fenômeno natural e a vida segue… você tem de trabalhar, passear e curtir a vida, normalmente.

Nathalia – Você acha que a sua deficiência a limita em algo, com relação à gravidez e à maternidade?
Denise – No meu caso, não. Sou uma pessoa bastante ativa. Minha gestaçãoe a bebê estão indo muito bem.

Nathalia – Agora, para encerrar, vamos à clássica pergunta que toda mamãe ouve por aí (risos): quando vocês pretendem ter outro bebê?
Denise – (risos) Meu marido já veio “xavecando” para termos outro bebê, assim que a Ana Luiza tiver uns dois ou três aninhos… e achei isso muito fofo! Enfim, seja o que Deus quiser! É muito gostoso estar grávida. Viver tudo isso e ser mãe é um sonho… a maior realização de família e de amor do mundo!

comentários comente
  1. Vanessa disse:

    Orgulho de vocês Vagnão e Denise, titia ama Ana Lu! Bjs

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