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Espaço da Nathalia
25 de janeiro de 2019

Ocupar a cidade de São Paulo e sair da zona de conforto

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Precisamos buscar novas formas de ocupar a cidade, de aproveitarmos a vida e sermos nós mesmos. É o nosso direito.
Nathalia está sorrindo, em pé, com as mãos apoiadas em um carrinho com sua cachorra Cookie. Ao fundo, há diversas árvores.
Nathalia Blagevitch no Parque Ibirapuera com sua cachorrinha Cookie. Foto: Mariana Voros Fregolente

Sair e caminhar pela cidade pode ser um desafio para muitas pessoas. Eu sou uma delas. Apesar disso, eu gosto de viver a vida intensamente. Tenho vontade de andar cada vez mais por aí. Adoro passear, viver tudo o que a vida tem para dar. Sinto que devo olhar cada vez mais para isso e compartilhar as minhas experiências do que tenho vivido, principalmente nessas saídas que faço.

Uma das minhas incentivadoras nesse sentido é a minha amiga Mariana Voros Fregolente, que conheci em um curso de autoconhecimento. No ano passado, frequentemente conversávamos sobre essa questão de sair de casa e andar pela cidade. Eu dizia para ela: “Ai, não aguento mais andar em shopping. Costumo ir porque lá tem banheiro acessível e porque é mais prático para me deslocar”. Ao ouvir isso, Mari logo me animou e disse: “Então vamos fazer outros passeios!”.

Pedi que ela contasse um pouco mais sobre a ideia que tivemos. “A Nathi adora shopping. Mas eu não sou grande fã, e fiz várias tentativas de fazermos programas diferentes. Acontece que ela fica muito mais confortável em lugares com boa infraestrutura. Testar programas diferentes é sempre um misto de novidade e de dificuldade. Transformar essa exploração em um projeto é uma forma de ressignificar as dificuldades que ela enfrenta, e que eu também enfrento por ser o suporte dela. É também uma tentativa de colocar a pessoa com deficiência como um ocupante de todos os espaços públicos de uma cidade, sem restringir a experiência dele como morador.”

Foi assim que surgiu a ideia do projeto fotográfico #nathipelacidade. É a forma que encontramos de fazer com que as pessoas com deficiência explorem mais a cidade, apareçam e sejam lembradas nas decisões das políticas públicas. “Se as pessoas não olharem para a pessoa com deficiência, elas não vão pensar nela, nem vão considerar as suas necessidades. A ideia da Nathi, de ocupar espaços públicos antes não explorados,  é uma forma de dar visibilidade para as dificuldades que ela enfrenta”, conta a Mari.

Com isso em mente, começamos a fazer as nossas andanças pela cidade no ano passado. O Templo Zulai, em Cotia, foi a nossa primeira escolha. O passeio foi perfeito. Não encontrei nenhuma barreira de acessibilidade.

Isso nos motivou e resolvemos passear no Parque Ibirapuera. Infelizmente, encontramos algumas barreiras. Fomos eu, Mariana e Cookie (minha cachorrinha). Para facilitar o passeio com ela, costumo levar o carrinho – que é tipo um carrinho de bebê. Tive alguns desafios de caminhada, mas dentro do parque era tudo perfeito (só não conheci o banheiro). O desafio maior foi durante o meu deslocamento até a entrada do Ibirapuera: a rua era esburacada, a calçada tinha diferentes alturas. Era muito difícil de andar. Não conseguiria fazer isso se estivesse sozinha.

“Eu achei que seria mais fácil. As calçadas são muito irregulares e encontramos poucos bancos na sombra. Por isso, não pudemos ir muito longe. Mesmo assim, nós duas gostamos muito. Sair um pouco do concreto e entrar no meio das árvores é sempre bom, mas foi assim principalmente porque foi uma barreira vencida”, afirmou Mari.

Eu consigo encontrar alguns recursos de acessibilidade em locais específicos, mas às vezes é difícil até mesmo realizar a compra do ingresso para entrar em algum lugar. Exemplo bem prático disso: nesses últimos dias, estou tentando ir ao Teatro Municipal para ir a um evento, mas vou acabar não indo porque preciso ir até lá para comprar o ingresso. Ele não poderia ser disponibilizado de outro modo para as pessoas?

Como uma pessoa com deficiência vai até lá para fazer isso? Já são muitos desafios no dia a dia. Esse seria mais um. A compra online do ingresso seria um dos caminhos acessíveis para facilitar a vida de todo mundo. Por isso, o olhar empático de empresas e da Prefeitura é tão importante.

Ao passear pela cidade, nós conseguimos desfrutar melhor os espaços, entender como eles funcionam, saber se eles contam com acessibilidade e também mostramos que é possível ter deficiência e sair de casa. Precisamos buscar novas formas de ocupar a cidade, de aproveitarmos a vida e sermos nós mesmos. É o nosso direito. Com amor e empatia, acredito que a gente consiga ter espaços mais acolhedores e acessíveis. Vamos ocupar a cidade!

E você? Qual é a sua sugestão de lugar para os nossos próximos passeios? Comenta lá no meu Instagram!

Eu estou sorrindo ao lado da Mariana, que também sorri e segura Cookie no colo. Ao fundo, há árvores.
Eu ao lado da Mariana, que está segurando Cookie (minha cachorrinha) no Parque Ibirapuera. Foto: Arquivo pessoal.
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