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Na Mídia
14 de maio de 2012

Gabriel e Nathalia mostram que é possível superar a deficiência e realizar o sonho de estudar

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“Consegui perceber o que era mesmo deficiência e o que fazia parte do meu psicológico” , diz Nathalia.

Revista Sentidos | 14|5|2012

Foto da matéria da Revista Sentidos

Aos 21 anos, Nathalia Blagevitch Fernandez voltou ao Brasil no dia 4 de abril, após passar uma breve temporada participando de um intercâmbio estudantil nos Estados Unidos. Ela define sua viagem como uma lição de vida, na qual aprendeu a conviver melhor com suas limitações. Isso porque, além das dificuldades que qualquer um encontra nesse tipo de empreitada, Nathalia tem paralisia cerebral de nascença. “Consegui perceber o que era mesmo deficiência e o que fazia parte do meu psicológico. As barreiras que eu mesma me impunha. Amei a experiência.”

Nathalia foi sozinha. Ficou uma semana na condição de turista e 32 dias como estudante, cursando Inglês na ELS, que fica no College of Southern Nevada, na cidade de Las Vegas. Passou por algumas dificuldades. “Costumo dizer que lá onde vivi esse período existe quase que total acessibilidade arquitetônica, mas não há acessibilidade pessoal. As pessoas, em sua maioria, são frias e não ajudam.”

O projeto povoava a mente de Nathalia havia algum tempo. “Há três anos surgiu a ideia de fazer intercâmbio, mas não tinha segurança. Uma amiga de faculdade (ela cursa Direito na Faap) queria ir para o Texas. Um dia, por intermédio dela, conheci um representante do Student Travel Bureau (STB) e manifestei meu interesse.”

Depois de alguns meses, a estudante recebeu a informação de que seu destino seria a casa de uma família em Las Vegas. “A princípio, não gostei do lugar, mas era o único que tinha surgido. Conheci a família via Skype e conversei muito com os integrantes. Adorei e achei que eles também tivessem gostado de mim. Resultado: topei. Comprei a passagem e viajei. Visitei a família e mudei num sábado. A aulas começariam na segunda-feira seguinte.”

Os problemas de Nathalia começaram neste momento. “No mesmo dia em que mudei, todos saíram e me deixaram sozinha durante mais de três horas. Eu preciso de ajuda para algumas tarefas. Tinha uma escada que dava acesso à cozinha e não conseguia chegar lá.”

As dificuldades prosseguiram. Não aguentava mais lá e queria mudar de moradia.” Ela conseguiu. “Fui para uma residência estudantil. Morei com duas meninas, uma da Coreia do Sul e uma do Japão. Foi ótimo, pois tive contato com uma mistura cultural muito enriquecedora, embora elas gostassem de comer cachorros”, brinca Nathalia.

Na escola, a situação estava melhor para Nathalia. “Conheci uma aluna brasileira que foi o anjo da guarda na minha história. Ela me ajudava muito, pois se você não estabelecer algumas parcerias, as coisas ficam difíceis.”

A estudante revela que a maioria das dependências era acessível. “O problema é que uso uma scooter para me locomover. Um dia fui sair da sala de aula e não consegui. Pedi à professora que segurasse a porta para mim e ela simplesmente disse “não”. Foi chamar alguém para me ajudar. Mais uma vez tive de aprender a lidar com minha deficiência, com um idioma diferente e com a frieza das pessoas. Mas tudo foi uma experiência positiva.”

Ela conta que teve contato com outros alunos com deficiência e uma professora que dava aulas com seu cão-guia.

Ao final da aventura, o balanço foi muito positivo, segundo Nathalia. “Recebi vários e-mails de pessoas falando da minha superação e mensagens de professores contando como foi a experiência de dar aulas para mim. Gostei tanto que pretendo participar de um novo intercâmbio. Mas em outro país. Estou pensando na Espanha.”

Nathalia está preparando um livro. Pretendo contar toda a minha trajetória até chegar nesse desafio que foi a viagem aos Estados Unidos.

Para realizar seu objetivo, Nathalia contou com o auxílio do consultor do Henrique Bucheri. Ele conta como viu a iniciativa. “No início foi um desafio, mas no decorrer do processo, apesar das limitações, a família da Nathalia demonstrou coerência, o que contribuiu bastante para o STB buscar um destino, uma escola e acomodações que se adaptassem à realidade dela. Tivemos uma grande colaboração da instituição ELS, que contribuiu para que o intercâmbio se realizasse. Saber que a Nathalia conseguiu realizar um sonho foi muito gratificante e para mim também foi uma grande experiência.”

Bucheri ressalta que tudo saiu como foi planejado. “Inclusive, quando a Nathalia optou por trocar de acomodação, a mudança foi imediata. Acompanhamos diariamente o processo de adaptação e ficamos tranquilos quanto ao cuidado que a escola teve e a atenção que lhe foi dada durante todo o período.

Para Fátima Alves, fonoaudióloga e psicomotricista, a inclusão praticada mais cedo no âmbito da Educação ajuda para o estímulo ao estudo e para o desenvolvimento desses alunos. “Essa prática colabora para o sucesso da inclusão de alunos com deficiência na escola regular, dando possibilidades de se conseguir progressos significativos. A adequação das práticas pedagógicas à diversidade dos aprendizes é essencial para atingir esse sucesso. Essa adequação deve privilegiar o desenvolvimento dos alunos e a superação dos limites intelectuais, motores ou sensoriais.”

Fátima acredita que todo aluno consegue aprender. “Uma aprendizagem de qualidade e o alcance de uma autonomia pedagógica podem acontecer a partir do momento que esse aluno se sinta acolhido, ouvido e acreditado. Integra grupos que o fazem crescer e acreditar em seu potencial. Os sentimentos da família, dos amigos são fundamentais. Tudo isso o entusiasma a crescer e alcançar possibilidades diversas.” Isso pode explicar o sucesso de Gabriel e Nathalia, na visão da especialista.

Atualmente, Fátima Alves é professora de pós-graduação em Psicomotricidade da Unipli, de pós-graduação presencial e da Licenciatura a distância em Pedagogia da AVM Faculdade Integrada. É autora de livros.

Lou de Olivier, psicopedagoga, psicoterapeuta e especialista em Medicina Comportamental, acredita que alguns distúrbios dificilmente permitem o aprendizado, especialmente se não forem tratados de forma adequada.

Fonte: Revista Sentidos

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