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Na Mídia
22 de setembro de 2010

Paralisia cerebral, um obstáculo a ser vencido

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Conheça histórias de pessoas que foram estimuladas a conquistar uma vida quase comum

Revista Sentidos | 22|9|2010

Capa da Revista Sentidos
Capa da Revista Sentidos

Algumas crianças que sofrem paralisia cerebral podem chegar a uma vida de conquistas, alegrias e independência, desde que seja feito um tratamento eficaz e uma reabilitação física, como é o caso de Nathalia Fernandez.

A jovem de 19 anos tem motivos de sobra para sorrir. Desde que estava na barriga da sua mãe, Leda Blagevitch iniciava sua luta pela vida. Aos sete meses de gestação, Nathalia parou de se mexer, ela sofreu a lesão cerebral intrauterina. Ao perceber que havia algo de errado, Leda procurou pelo médico que cuidava do seu pré-natal, porém o profissional não identificou o perigo. Leda precisou esperar uma semana para dar à luz e, por esse motivo, foi feita uma cesariana às pressas. Nathalia nasceu aparentemente normal. Aos seis meses de idade, numa consulta de rotina, o pediatra percebeu que o bebê olhava fixamente para um determinado ponto e um olho não se mexia. A criança foi encaminhada para um neurologista que diagnosticou o quadro.

Próximo passo

Os pais de Nathalia tiveram o sentimento de revolta em relação ao médico, mas, em vez de dedicar seus esforços em movimentar um processo judicial contra o profissional eles preferiram buscar soluções para o problema da filha. O primeiro passo foi ter o acompanhamento de um neurologista para mapear o que a paralisia havia afetado. No caso de Nathalia, foi afetada a coordenação motora. Ela não consegue caminhar sozinha, precisa do auxílio de terceiros ou de cadeiras de rodas. Até hoje faz sessões de fisioterapia, como a musculação adaptada, que estimulam movimentos com os membros afetados.

Seus pais também a matricularam nas sessões de hidroterapia e equoterapia. Nathalia afirma que se não tivesse feito esses tratamentos, certamente não andaria nem com auxílio de terceiros e seus membros ficariam atrofiados. Outro procedimento foi submetê-la à terapia ocupacional. Quando criança, as sessões eram focadas em exercícios para as mãos e na realização de tarefas do cotidiano, como aprender a cortar os alimentos, amarrar os cadarços, entre outros.

“Meus pais foram as pessoas que mais me estimularam a fazer tudo, desde brincar de qualquer coisa a viajar com os meus amigos”, diz Nathalia, que começou a estudar aos dois anos, outro ponto que a fez desenvolver muito. A escola recebeu as orientações de sua mãe de como ajudá-la a se locomover e interagir com os colegas de sala.

Toda essa estimulação só poderia dar em um resultado: Sucesso. Ela sempre estudou em colégios comuns, porém inclusivos. Seus amigos de sala a auxiliaram no que era preciso, como subir uma escada ou anotar um dever. Os pais acompanhavam o seu desenvolvimento e procuravam manter sua autoestima em alta que, por vezes, ficava em baixa por não conseguir fazer atividades simples, como apontar o lápis. “Meus pais me diziam: – ‘Você nasceu com garra para viver’. Essa frase me fazia superar as dificuldades”.

Um episódio que ficou marcado na vida de Nathalia, como uma história de superação, foi no dia de sua colação de grau do ensino médio, em fevereiro de 2009. Pouco antes da cerimônia iniciar, uma funcionária do colégio segurou a jovem e a trancou em uma sala distante do local do evento, alegando que a formanda não poderia passar na frente da mesa dos professores para receber seu diploma, pois era uma pessoa com deficiência, ficaria feio na filmagem. Tamanho foi o desrespeito que na lista de chamada dos alunos, para receber o canudo, seu nome foi omitido.

Sua família, presente na plateia, começou a procurá-la e a questionar o seu paradeiro. Seus colegas no palco iniciaram uma agitação. A funcionária vendo que poderia ser um início de muita confusão, foi até a sala e retirou Nathalia, obrigando-a a manter-se sentada e com o canudo já nas mãos. A jovem, naquele momento, não se deixou abalar e com a ajuda de um amigo, que lhe deu o braço para caminhar, passou na frente da mesa e sorriu para mais de 300 pessoas, que a aplaudiram em pé.

Hoje Nathalia é estudante de Direito, está no segundo ano e pretende ser juíza. “Eu me identifico com essa profissão, pois gosto de ouvir os dois lados da história, dar opiniões e ter uma visão geral de determinado acontecimento”. É voluntária no departamento jurídico em um gabinete da Câmara dos Vereadores em São Paulo. No escritório, ela acompanha os projetos de Leis e o atendimento ao munícipe. “Os pais não devem ficar se lamentando pela paralisia cerebral que o filho sofreu. Eles precisam buscar o máximo de tratamento, e quando mais cedo isso acontecer, melhor será o progresso do filho, pois ele crescerá mais resistente e poderá ter uma vida normal, com baladas, amigos e estudos, minimizando as limitações”, finaliza.

Fonte: Revista Sentidos

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