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Na Mídia
23 de julho de 2014

Jovem com mobilidade reduzida avalia aeroportos das cidades sedes da Copa

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“Meu objetivo era saber se os aeroportos possuem acessibilidade arquitetônica e social”

Setor 3 | Senac | 23|7|2014

Setor 3 - Senac - documentário

A jovem Nathalia Blagevitch Fernandez tem 23 anos de idade, é loira, tem olhos verdes, magra e pele clara. Com a voz calma, ela transmite tranquilidade e ao mesmo tempo um olhar curioso. Nathalia tem paralisia cerebral, mas isso não foi um obstáculo para realizar seu sonho de se formar em direito. Concluiu a graduação no mês de junho.

Sua história ganhou notoriedade quando se deparou com um problema no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Em sua viagem para um intercâmbio aos Estados Unidos, ela não conseguiu desligar o triciclo sooter elétrico – carrinho motorizado para quem tem mobilidade reduzida – e funcionários desse aeroporto cortaram os fios de ligação do carrinho.

Quando desembarcou nos Estados Unidos, Nathalia notou o problema e se questionou sobre a qualidade dos serviços que seriam prestados aos turistas durante a Copa do Mundo e os que virão para a Olimpíada de 2016. Então ela decidiu, por conta própria, visitar os 15 aeroportos das cidades sede do Mundial, conferir isso de perto e produzir o documentário Acessibilidade nos aeroportos da Copa.  “O meu objetivo era saber se os aeroportos possuem acessibilidade arquitetônica e social”, comenta.

A jovem não permaneceu mais do que um dia nas cidades brasileiras de: Manaus (AM); Porto Alegre (RS); Belo Horizonte (MG); São Paulo (SP); Rio de Janeiro (RJ); Cuiabá (MT); Fortaleza (CE); Natal (RN); Recife (RN); Salvador (BA); Campinas (SP); Curitiba (PR) e Brasília (DF). Ela enfrentou a burocracia para fazer os embarques e desembarques.

Durante a viajem foram identificados problemas com banheiros, vagas exclusivas, tipos de embarque e desembarque, táxis e ônibus acessíveis, informações em braile e a falta de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que de acordo com informações dos funcionários de alguns aeroportos trabalhavam com escala.

Alguns problemas à vista

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, Nathalia identificou três carros estacionados na vaga de deficientes, incluindo dois táxis. Para conseguir assentos na primeira fila ela teve que conversar bastante, o banheiro reservado para deficientes não possui espaço suficiente, porém, um ponto positivo a ser destacado foi na hora do embarque, que os funcionários a acompanharam em uma ambulift (plataforma elevatória para embarque e desembarque de pessoas com mobilidade reduzida) e realizaram todo o procedimento de segurança.

Em Cuiabá, o aeroporto não oferecia ambulift ou finger (passarela móvel de embarque e o desembarque), porém, os funcionários da companhia aérea a desembarcaram em uma cadeira de rodas, sem problemas.

Em Manaus ela não encontrou táxis acessíveis, nem intérprete de libras, mas identificou que os banheiros eram amplos e os funcionários faziam cursos de acessibilidade para atender passageiros com dos passageiros.

No Aeroporto de Fortaleza não tinha banheiro adaptado, nem sinalização para chegar às rampas, tampouco intérprete de libras, por outro lado os táxis eram acessíveis e os balcões eram rebaixados.

No Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Natal, foi observado reformas para ampliar a acessibilidade, banheiros exclusivos para pessoas com deficiência e um funcionário da Infraero com fluência em libras, por outra via os balcões de atendimento são altos, e a cidade não tinha táxis acessíveis.

Em Recife não havia táxis, nem balcões acessíveis, sem intérprete de libras e os elevadores são pequenos não comportam um cadeirante com um carrinho e bagagens.

Em Curitiba, no Aeroporto Afonso Pena, não havia elevador no desembarque, a sinalização é precária, o intérprete de libras só fica até determinado horário, em caso de necessidade a comunicação era feita por escrito.

No Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, tinha scooters da Infraero disponíveis para cadeirantes, banheiro adaptado, mas não havia táxis acessíveis.

Em São Paulo, os bebedouros são acessíveis, há espaços reservados para cadeirantes na sala de espera, a sinalização das rampas é boa, com táxis acessíveis, porém, quando Nathalia perguntou para uma funcionária sobre o intérprete de libras, além de não obter uma resposta a funcionária saiu do posto e não retornou.

Quando questionada sobre os pontos positivos e negativos nos locais visitados, ela respondeu: “Eu preciso ressaltar que o brasileiro é um povo muito hospitaleiro, onde não tinha acessibilidade arquitetônica, tinha acessibilidade humana, eu encontrei calor humano”. E sobre o que precisa ser melhorado: “E o ponto negativo era a falta de conhecimento das pessoas, ainda falta treinamento”.

Aprendizados

Todas as realizações, independente do grau de dificuldade, resulta em um aprendizado, uma experiência diferente que pode contribuir com uma atuação mais humana. A idealizadora do documentário contou também que os aeroportos onde mais sentiu seus direitos de cidadã preservados foram os de Porto Alegre e Manaus. Sobre o que leva do documentário, ela responde: “Primeiro eu voltei a acreditar na potência do Brasil, eu acho que nós estamos no caminho certo, quando a ideia do documentário surgiu até em um momento eu fiquei desapontada, ainda falta muito ainda, mas quem sabe se ao invés de as pessoas reclamarem fazerem protestos inteligentes”, opina.

A jovem também deixou um recado para pessoas que como ela também possuem mobilidade reduzida: “Não pare de perseverar, por mais que você escute muitos nãos, proteste e lute pelos seus direitos sempre de modo civilizado, pois assim você estará ajudando também outras pessoas. Batalhe pelos seus sonhos e objetivos”.

Ela obteve um retorno positivo das pessoas que assistiram o documentário disponível no Youtube. As redes sociais foram os espaços com mais feedback do público. “Eu recebi bastante retorno, inclusive, pelo Facebook. Houve 90% de apoio. As pessoas têm me parabenizado pela iniciativa. E as pessoas perguntaram, se eu já tinha outro projeto em vista”. Em relação aos próximos passos, ela finaliza: “Por enquanto eu estou envolvida com alguns projetos pessoas, mas pretendo sim criar outros documentários mostrando o dia a dia da pessoa com deficiência física”, conclui.

Serviço:

Para assistir o documentário Acessibilidade nos aeroportos da Copa, confira aqui parte 1, de 15 minutos e 37 segundos: http://bit.ly/1ngNF7t

Para assistir  A segunda parte, de 11 minutos e 39 segundos, está disponível em: http://bit.ly/UooioH

Fonte: Setor 3 | Senac | 23|7|2014

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