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9 de agosto de 2015

Dia dos pais: como é ter uma filha com Síndrome de Down?

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Quantas vezes ouvi que eu era especial porque minha filha era especial...
*Por Iberê Bandeira de Mello

Iberê Bandeira de Mello

Minha mais nova amiga de infância, Nathalia, me pergunta se poderia dar um depoimento sobre como é ser pai de uma criança com Síndrome de Down. Fiquei meditando a respeito e lembrei de quando minha filha nasceu, das emoções e como me senti.

Quando a Júlia nasceu – costumava dizer – passei de uma teoria sobre ser uma minoria para a prática! Sempre me imaginei como alguém com pensamento liberal. Gostava de me sentir “diferente”. Pois bem, com o nascimento da Júlia, naquele primeiro momento, fui arremessado em um mundo onde não só ela como eu éramos diferentes DE FATO!

Quantas vezes ouvi que eu era especial porque minha filha era especial ou, então, as frases que todo pai de uma criança com Síndrome de Down ouve: “eles gostam muito de música!”, “são muito sensíveis” e tantas outras…

Júlia e Iberê
Júlia e Iberê

De certa forma, achava que seria merecedor de alguma recompensa já que iria carregar um fardo enorme e, para o resto da vida, seria definido pela existência de minha filha, simplesmente por ter me tornado pai de uma pessoa com deficiência! Assim, eu me tornava merecedor de coisas boas, de uma vida grandiosa e ótima. Afinal, eu era especial (por ser pai de uma pessoa especial, lembrem-se!).

Como tudo na vida, o tempo é que traz a melhor explicação. Ser pai de uma moça como a Júlia é só isso: ser pai! Com dificuldades e prazeres! Tal qual ser pai do meu segundo filho, o Pedro, que apresenta outros desafios e outros prazeres da chamada normalidade.

Hoje, passados 15 anos da minha primeira paternidade, vejo como eu estava enganado. Não sou diferente, nem melhor, nem pior que qualquer outro pai. Erro e acerto como qualquer um. Aprendo e ensino ao longo do caminho.

Pedro, Iberê e Júlia
Pedro, Iberê e Júlia

Então, respondendo de forma singela, não sei como é ser pai de uma criança com Síndrome de Down. Sei como é ser pai da Júlia e do Pedro. Sei que não queria ser pai de outras crianças – agora, adolescentes – e sei que meus filhos, como quaisquer outras pessoas, têm suas idiossincrasias, seus dias bons e seus dias ruins. Seus dias de sol e seus dias de chuva.

Iberê Z. Bandeira de Mello, Pedro e Iberê
Iberê Z. Bandeira de Mello, Pedro e Iberê

Assim como meu pai é para mim, ser pai é simplesmente isso: ser pai…

Àqueles que são verdadeiramente pais, um grande abraço!

 

 


* Iberê Bandeira de Mello, além de pai, é advogado e foi vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP

 

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